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24 de mai de 2009

Pastor: Santo ou Executivo?

2 Reis 4.9

"E ela disse ao seu marido: Eis que tenho observado que este que passa sempre por nós é um santo homem de Deus". (2 Reis 4:9)

As pessoas estão a nos observar. Havia uma mulher que observava a passagem de Eliseu por sua porta e comunicou ao seu marido, ao final de um tempo que ele não era um simples homem que passava pela sua porta. Havia sinais exteriores de santidade nele, seu viver, seu caráter, seu comportamento, que excedia em muito a outros que talvez já tivessem passado por ela se intitulando “homens de Deus”. Eliseu passou pelo crivo crítico de uma mulher rica, que não atentava para outros interesses, senão o de avaliar a santidade, a diferença na estrutura de homem de Deus, muito além das aparências religiosas.



Hoje quando observamos certos intitulados pastores profissionais, principalmente os que se mostram na TV, todos com ternos caríssimos importados, parecem-se mais com executivos de empresas do que com pastores de ovelhas. Ostentam títulos em si mesmos e os exibem com orgulho. Basta entrarmos em alguns sites de igrejas e vermos o currículo de alguns pastores. Não que os títulos não sejam importantes, mas porque exibi-los? O princípio do evangelho sempre foi a discrição. Não mostrar aos outros minhas qualidades, pois isso já seria uma falta de qualidade.

O estudo bíblico é necessário, mas preciso exibir os diplomas para os outros, para que? Para ser reconhecido? Por quem? Parece que há uma disputa por títulos. Mestrado, doutor em divindade, são os cursos desejados. Mas quem tem pode dizer que é doutor em alguma coisa relacionada ao evangelho? Quem pode exibir um título de doutor honoris causa no assunto divindade? Não seria arrogância da nossa parte?Alguém ousaria exibir um título desses diante do grande trono branco?

Lembro-me de um culto que participei na igreja Batista do Povo em que estava presente o pastor Enéas Tognini. Nunca me esqueço do que esse homem santo de Deus disse naquela noite. Ele disse que era um “candidato a servo inútil”. “Que muitos querem títulos de bispo, apóstolo, que logo aparecerão novos títulos para suplantar o anterior como Serafim fulano de tal, o Querubim beltrano, o semideus ciclano. Eu ainda sou um candidato ao título de “servo inútil”, porque Jesus disse que esse tipo de servo tem que ter feito tudo para receber o tal título”.

Obrigado, pastor Enéas pelas suas palavras que calaram no meu coração e também estou perseguindo esse título. Não sei se o alcançarei, mas muito provavelmente não nesse mundo.

Pelas aparências vemos todos os dias inúmeros pregadores pulando, falando em línguas, tentando a todo custo passar a imagem de um "santo homem de Deus". E quantos já foram enganados doando todos os seus recursos e sendo desiludidos pelas falsas promessas financeiras que nunca se cumprem, mas apenas deixam-nos mais ricos. Um deles já tem quatro jatinhos executivos. Um dos novos, especialista em manipulação de curas. já comprou o primeiro jato. É só você percorrer a internet em busca dessas informações e as achará.

Eis aqui um santo homem de Deus, o apóstolo Paulo. Não tinha posses, apenas uma profissão da arte de confeccionar tendas para viver. Sofrido, passando fome e frio, sem destino certo, anunciando o evangelho de Cristo. Em II aos Coríntos no capítulo 11, Paulo fala sobre um pouco de seus sofrimentos: “Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez”.

Aquela mulher fez um "pequeno" quarto (II Reis 4:10) para Eliseu. O texto diz que o quarto tinha apenas a mobília indispensável: uma cama, uma cadeira e um candeeiro. Este homem de Deus não buscava o luxo que buscam hoje os falsos “homens de Deus”. Fecham seus ouvidos para as palavras de Jesus que tanto desprezou os bens materiais em suas parábolas.

Paulo termina a sua jornada de forma triunfal. Não com uma poupança recheada de dólares nem com um iate para pescar em alto-mar nem com troféus e títulos ganhos aqui na terra. Mas aguardando a bendita esperança: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda”. II Tim. 4:7-8.

pr José Videira, candidato permanente a servo inútil.