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21 de dez de 2008

Cura Interior

Os tempos mudaram, e como! Para pior. Nos meus tempos da mocidade, nos reuníamos aos
sábados para orar e buscar ao Senhor. Nossos cultos não eram abarrotados de jovens, mas os que lá iam tinham lágrimas no olhos. Havia um respeito mútuo entre nós. Não raro, um jovem se aproximava de mim e pedia que eu impusesse sobre ele as mãos para que recebesse o batismo com o Espírito Santo com a evidência de falar em línguas. A manifestação do Espírito era real. Havia uma profusão de poder derramado sobre aqueles braços levantados e joelhos dobrados, que faziam com que os jovens ficassem horas diante do Senhor. Saíamos da igreja perto da meia-noite, porque o culto não terminava. Após a bênção apostólica impetrada, alguns irmãos faziam um círculo na frente e começavam a orar. Alguns irmãos eram usados com o dom de profetizar e edificavam o corpo de Cristo.



Fazíamos trabalhos de evangelismo no museu do Ipiranga. Tínhamos um gerador a gasolina que fornecia 110 Volts a um aparelho Tremendão da Giannini, valvulado, e ligávamos um contra-baixo e uma guitarra. Eu tocava o baixo e o Roque (atualmente reverendo Roque que está nos EUA) a guitarra. Pessoas se aglomeravam em torno do nosso som. O evangelista Rubens Gonçalves, moço de 22 anos, pregava num poder jamais visto. As pessoas vinham à frente e entregavam suas vidas a Cristo. Convidávamos para um culto naquele mesmo sábado e a Kombi vinha lotada de pessoas para o culto. Não raro tinha que fazer duas viagens. A igreja ficou abarrotada em pouco tempo, tínhamos que colocar cadeiras extras no corredor. Muitos ficavam do lado de fora assistindo ao culto através das janelas basculantes.

Através da oração e da Palavra, o Espírito Santo fazia um trabalho de transformação nas vidas. O segredo estava sempre na muita oração e jejum. Não há atalhos aqui. Tem mesmo que jejuar e orar e buscar a Palavra na fonte. Digo isso porque os crentes de hoje andam lendo muitos livros e estão sendo influenciados de maneira negativa por muitos deles. Nosso único livro era a Bíblia Sagrada, versão Ferreira de Almeida, Revista e Corrigida. Hoje temos centenas de bíblias com diversas traduções, algumas muito perniciosas.

Podíamos ir a qualquer igreja fazer uma visita. Metodista, Assembléia de Deus, Batista, Pentecostal. Lembro que havia um padrão nos cultos, na mensagem pregada e mesmo no comportamento das pessoas. Claro que, como éramos pentecostais, procurávamos ir a igrejas que aceitavam os dons do Espírito Santo. Mas sempre havia um derramar, e a marca no final dos cultos era sempre “lágrimas nos olhos”.

A partir de 1986, após a era Jimmy Swaggart, surgiu na TV uma mulher que pregava muito bem e acabou conquistando o coração de todos. Mas, com o passar do tempo, alguns ingredientes foram acrescentados à sua pregação, como a necessidade de se guardar o sábado. Mais tarde lançou outro ingrediente: a necessidade de se quebrar as maldições hereditárias. Não demorou muito para acrescentar-se a essa receita a prática da cura interior nos crentes. A confusão está estabelecida e, a partir daí, todo o Evangelho vai sofrer as conseqüências dessas novidades. Surge uma nova geração de pregadores da teologia da prosperidade que afirmam a falácia que o crente ter que ser rico, ter carrão, mansão, nunca ficar doente e andar em ruas de ouro aqui na terra.

Um dia fui a uma igreja dessas grandes e famosas “fazer” uma cura interior coletiva. O que é isso? Toda a igreja reunida para fazer o tal processo da cura interior. Na verdade fui para investigar o que ocorre nessas reuniões. No saguão de entrada da igreja recebi um copo descartável, desses pequenos de tomar café, com um pouco de óleo. Perguntei o que iria fazer com aquilo, e me disseram que seria usado na cura interior. Entrei para o grande salão, com aquele copinho na mão e comecei a ouvir um monte de baboseiras esotéricas de uma pessoa especialista na tal cura interior. Fizeram uma oração, chamada de “oração do ventre”, que representava o indivíduo assumindo o papel de bebê fazendo uma oração dentro do útero da mãe. Não vou colocar a oração aqui neste blog. Insegura do que estava fazendo, a operadora da cura interior sempre se desculpava, dizendo que a gente não precisaria entender naquele momento muitas coisas. Era só fazer e ponto final.

Na saída comprei um livro no saguão “Cura Interior – Manual do Ministro”. Li-o e destaco aqui alguns absurdos. Você deve estar se perguntando “e o óleo, o que fiz com ele?” Claro que joguei-o fora. Mas aquele óleo serviria para ungir o meu umbigo, o meu cocxis, porque eram pontos de entradas de demônios. Esses pontos são os chacras. Todos estavam no livro. Não quero aqui ensinar pontos chacras, porque fazem parte da teologia luciferiana onde tudo é energia, o homem é energia, tem quatro corpos, físico, mental, emocional e causal. Não existe aqui espírito. É o movimento da New Age (Nova Era) infiltrada dentro das igrejas.

Numa outra igreja bem conhecida aqui de São Paulo, fizeram um acampamento surpresa com os jovens e quando lá chegaram haveria um encontro do G12. Os jovens receberam ordem para não conversarem ente si nos três dias que se seguiriam. Houve um pacto de silêncio, para que ninguém questionasse o que lá seria feito. Num galpão, todos se deitaram no chão em posição fetal e cobertos com um cobertorzinho simulando o ventre materno, e num momento após alguns estavam chorando como bebês. Depois foram solicitados a escreverem seus pecados em uma lista de pecados previamente definida de A a Z, para facilitar a seleção. Em seguida todos levaram esses papéis preenchidos e os cravaram em uma cruz de madeira feita para esse fim. Na seqüência, alguém pegou um galão de gasolina e tocou fogo na cruz, que queimou juntamente com os papéis. Tudo isso de madrugada. Pronto! Os pecados agora estavam redimidos. O fogo purificou o pecado (não foi o sangue de Cristo!). Houve uma parte em os caras sentiram-se maiores do que Deus e resolveram perdoá-lo. Amigo, perdoar a Deus? Eles puseram Deus sentado numa cadeira de réu e leram um veredicto: “Culpado, mas eu te perdôo. Pode sair.” Nem Lúcifer teve essa ousadia.

Agora vamos para a ceia do Senhor. Todos receberam um bago de uva na mão. No momento da ceia foi dito aos presentes que o bago de uva simbolizava o próprio Jesus. Foi solicitado aos presentes que colocassem o bago no chão e o pisassem e dissessem: “eu esmaguei Jesus na cruz”. É verdade que nossos pecados levaram Jesus à cruz, mas quem tem que estar debaixo dos nossos pés é o diabo e não Jesus. Essa prática de esmagar uvas com os pés de onde vem? Ao final do encontro há um pacto de silêncio para que não se diga a ninguém o que aconteceu lá. Isso é esoterismo, reservado somente aos iniciantes.

O grupo que passou por esse processo voltou parecendo um monte de zumbis, não falavam nada sobre o que aconteceu, apenas diziam “foi bom”, uma frase padrão devidamente instruída aos participantes. Antes do louvor, ungiam as caixas acústicas de retorno, os microfones, a bateria e outros apetrechos da banda com óleo. Faziam uma oração parecendo um mantra. Ironicamente naquele dia o som começou a apitar dando microfonia como nunca. Parece que Deus não aprovou essa “unção” dos microfones. Não demorou 2 meses, tudo veio abaixo, o grupo ficou apagado, desanimado e traumatizado, o que foi pior. Uns saíram da igreja e outros voltaram à condição de péssimos.

As práticas executadas pelos ministérios de cura interior estão mais para demonismo do que cristianismo, haja vista as declarações que fazem nos livros que li que os demônios podem possuir um crente. Isso tira toda a segurança da salvação. Como um demônio pode desalojar o Espírito Santo que habita no crente para entrar nele? É impossível. Um discípulo de Cristo tem nele o Espírito Santo e nenhum mal satânico tem algum poder contra ele. Senão, podemos jogar a Bíblia fora e vamos ficar só com os livros esotéricos que são publicados todos os dias e não param. Todas essas práticas invalidam o sacrifício de Jesus na cruz que é suficiente para salvar, curar exteriormente e interiormente, pela lavagem da Palavra, pela presença contínua do Espírito Santo que vai limpando dia a dia a sua casa. É um processo que leva uma vida inteira e não três dias.

Se você pertence a uma igreja que pratica esses atos, saiba que a Bíblia lhe chama de conivente, isto é, você é tão responsável quanto quem pratica o ato. Sua responsabilidade é solidária em igual nível. Você se torna co-participante dos seus pecados. Apoc. 18:4 Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas.
Procure uma igreja séria que pregue o genuíno evangelho de Cristo. Não dê força a essa prática perniciosa que invadiu a igreja de Cristo. Salve sua alma antes que seja tarde.

Âncoras que nos dão segurança:
Quem está em Cristo é uma nova criação. As coisas velhas já passaram. Tudo se fez novo. II Cor. 5:17
Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós. Gál. 3:13
Nenhuma condenação há para os que são de Cristo. Rom. 8:1

Hino da Harpa Cristã:

Ao findar o labor desta vida
Quando a morte ao teu lado chegar
Que destino há de ter tua alma
Qual será no futuro teu lar

Meu amigo hoje tu tens a escolha
Vida ou morte, qual vais aceitar?
Amanhã pode ser muito tarde,
Hoje Cristo te quer libertar.

Tu procuras a paz neste mundo
Em prazeres que passam e vão.
Mas na última hora da vida,
Ele já não te satisfarão.

Se decides deixar teus pecados
E entregar tua vida a Jesus
Trilharas sim, na última hora,
Um caminho brilhante de luz

pr José Videira