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17 de mar de 2009

Crentes verdadeiros, cada vez mais raros.



Já estou há 37 anos nesse caminho, portanto me sinto com alguma autoridade para discorrer sobre o seguinte tema: “os crentes verdadeiros desapareceram”? Já se foram os tempos que em que os empresários, donas de casa contratavam preferencialmente pessoas “crentes” pela sua idoneidade moral e seriedade no trabalho. Os crentes eram disputados pelos empregadores. Hoje são evitados. E por quê? Tentarei explicar com base na minha vivência em algumas décadas de igreja, e em meus 39 anos de trabalho, sendo mais de 10 no serviço público, comparando os velhos tempos com o atual, e tentarei equacionar sobre o que aconteceu com aqueles crentes verdadeiros.


Quando uma pessoa vinha ao cristianismo, a porta de entrada era o arrependimento dos pecados e o batismo nas águas. As pessoas saiam das águas chorando pela presença do Espírito Santo e muitas delas eram batizadas com o dom de línguas estranhas assim que entravam. O poder do Espírito Santo era real e convincente. Havia uma convicção de pecado e a necessidade de perdão era tão real, que as pessoas choravam convulsivamente nas reuniões de oração, pedindo a Deus pelo perdão dos pecados e pelo batismo com o Espírito Santo. A leitura da Palavra era feita exclusivamente na Bíblia Sagrada. Os únicos livros paralelos que existiam eram tratados teológicos sobre algum livro da Bíblia, e livros de avivamento de pregadores seculares como Wesley, Spurgeon, e outros. O concursos bíblicos eram muito disputados. Era muito comum se perguntar na igreja “quem já leu a Bíblia de capa a capa?” Muitos levantavam a mão e muitos já haviam lido mais de uma vez. Era a única regra de fé dos crentes.
Nos tempos atuais, as pessoas vêm à frente como se estivessem fazendo um favor a Deus ou ao pastor, batizam-se nas águas e muitos saem rindo da piscina, como se fosse algo engraçado. Não lêem a Bíblia, exceto nos cultos quando há projeção no telão. Muitas igrejas nem incentivam as pessoas a levarem a Bíblia. Dizem que "a Bíblia não é desodorante para andar debaixo do braço". Essa afirmação foi de um pastor amigo meu da IURD. Claro que discordei dele.
Nos tempos antigos, os louvores eram chamados de hinos e corinhos. Os hinos cantados da Harpa Cristã, na maioria deles, evocavam o céu. A alma dos crentes era uma e se uniam em torno da esperança de estar na presença de Deus. Não se valorizava a vida terrena. Os corinhos eram cantados batendo-se palmas e eram acompanhados apenas com um piano, um violão ou um órgão. Sentíamos a presença do Espírito Santo se manifestando em nossas carnes, aquecendo a nossa alma.
A adoração na igreja hoje está muito escassa. Geralmente o que se vê é uma apresentação musical com luzes coloridas, fumaça, pessoas bem produzidas como artistas de Hollywood e onde se valoriza mais a técnica, a performance. Sei que isso é importante, porque eu também sou músico, mas Deus não valoriza esse aspecto tanto quanto o estado espiritual dos adoradores. As pessoas vêm para cantar e não para adorar. A diferença está no alvo. O cântico visa agradar as pessoas e garantir os aplausos. Há uma disputa ferrenha entre os cantores pelos holofotes. É só ver na televisão as roupas, as pinturas, a produção que visa tão somente exaltar o homem. Os músicos e cantores não se preparam em oração para adorar o Senhor. Vêm direto do campo de futebol ou do passeio no Shopping para o púlpito. Muitos têm uma vida promíscua, dão-se em casamento, cometem fornicação, alguns são satanistas, outros se declaram anti-teístas e muitos praticam o homossexualismo em oculto. Sobem no púlpito sem nenhum temor para executar um show musical que para o Senhor é de nenhum valor.
Talvez você esteja se perguntando se é possível uma pessoa em pecado cantar e até abençoar a igreja com o seu cântico. Vou contar uma história real. Perdi um amigo há 10 anos contaminado pelo vírus HIV. Ele era homossexual e era cantor gospel com vários discos gravados. Morava sempre com homens e cantava nos inferninhos da rua Major Sertório quando saia da igreja. Vi-o secar no hospital Emílio Ribas até ficar parecido com um esqueleto até morrer. Creio que sua alma foi salva, porque se arrependeu e oramos muito por ele. Mas o caso é que ele cantava nas igrejas, em muitos casamentos, era muito requisitado. E ninguém sabia da sua história. Mas Deus sabia. Um dia a vida dele foi revelada quando ele cantava na Igreja Batista da Lapa. Um amigo dele, da Rua Major Sertório estava lá naquele culto e o reconheceu enquanto ele entoava um hino. Esse amigo procurou-nos e revelou o segredo. Ele cantava nas igrejas por mais de 20 anos sem ser descoberto. Mas um dia tudo veio abaixo. E isso continua acontecendo nas igrejas evangélicas, principalmente nas grandes e famosas com os cultos televisionados.
Naqueles tempos antigos, dizer “eu sou crente” era motivo de zombaria. Era preciso ter coragem para divulgar isso na empresa. Lembro-me das gozações. Chamavam-nos de irmãos, às vezes alguém mostrava uma foto pornográfica numa revista, pois sabiam que o crente não bebia, não fumava e não fazia sexo fora do casamento. O crente desviava o olhar e ia orar ao Senhor. Os crentes eram funcionários exemplares. Chegavam na hora certa e saiam no horário, não faziam corpo mole, trabalhavam muito e eram motivo de orgulho para os empresários.
Hoje os crentes navegam na internet por sites pornográficos, escrevem bobagens no orkut, compram CDs piratas até de cantores evangélicos! Crentes ladrões, sim, roubam horas das empresas, fazem falcatruas com o Imposto de Renda. Tenho presenciado no Serviço Público, onde trabalho, os seguintes flagrantes dos crentes:
Lendo a Bíblia no computador ou mesmo a Bíblia Impressa com a maior “cara de pau”
·        Ouvindo pregações no rádio
·        Lendo mensagens no computador daquelas do tipo “repasse aos seus amigos”.
·        Lendo e enviando e-mails particulares.
·        Navegando na Internet, no Orkut, no Youtube e visitanto sites impróprios
·        Fazendo hora
·        Evangelizando durante o horário de trabalho
·        Conversando com os colegas sobre futilidades
·        Demoram em executar o trabalho (baixa produtividade)
·        Chegam atrasados e saem mais cedo
·        Reclamam de tudo e de todos. Tudo é motivo para reclamação.
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O namoro de um crente nos tempos antigos visava o casamento. Ninguém namorava para passar o tempo, ficar beijando a moça, ou “ficando”, não. O casamento era feito com a intenção de ser único. Sexo somente após o casamento no altar e no civil.
Hoje é muito comum o rapaz casar-se com a noiva grávida. Eu já vivenciei várias situações como essas. E o que fazer? Tem-se que realizar o casamento e pronto! Não dá para retornar o tempo e consertar. Que pena. A lua-de-mel não existe mais. Achar uma moça ou moço virgem é procurar agulha num palheiro. Casal exemplar foi o Kaká, jogador famoso, que se declarou virgem juntamente com sua noiva. Esse é o casamento que agrada a Deus.

Há crentes que são verdadeiros destruidores de vidas. Por onde passam, deixam um rastro de destruição. Falam ao coração da moça, despertam nela todo um sentimento, usam-na e depois a descartam. A Ivone (nome fictício de uma moça que conheço), aos 25 anos de idade desmanchou um noivado que durou 5 anos. Naqueles dias conheceu um homem, o seu chefe de uma grande empresa, que lhe dava flores. Se encantou com ele, que era inclusive casado e não tinha intenções sérias com a Ivone. Essa moça se entregou a ele que a usou por 35 anos. Hoje Ivone está com 60 anos, sem família, com todos os seus sonhos sepultados. Na verdade aquele homem a sepultou.
O Carlos (nome fictício de um crente moderno da PIEC), já dilacerou e sepultou a vida e coração de pelo menos 3 mulheres. Já está na quarta. Vai passando e destruindo as pessoas.
Se você está namorando alguém só para passar o tempo, arrependa-se desse pecado. Não permita que essa pessoa seja mais uma vítima em suas mãos, tais como os casos relatados acima. Você prestará contas diante de Deus, lembre-se, você não escapará, meu amigo ou minha amiga. Vou repetir as palavras do pastor Ricardo Gondim em uma de suas pregações: “Todo pecado por mais escondido que seja, é um escândalo aberto nos céus”. Lembre-se disso.

Antigamente os crentes eram fiéis à sua igreja. Visitávamos várias igrejas aos sábados com a mocidade, mas nunca com a intenção de deixar a nossa igreja. Após o culto íamos em alguma pizzaria para comemorar. Domingo estávamos todos lá em nossa igreja.
Hoje, os crentes não têm fidelidade. Trocam de igreja como trocam de roupa. Não ligam a mínima para a Palavra que nos diz para não deixarmos a nossa congregação. Heb. 10:25.
Finalmente, os crentes antigos recebiam os novos membros com muito amor. Não havia disputas. Não havia concorrência. Os crentes se beijavam com ósculo santo. Havia acolhimento verdadeiro. Muita alegria.
Acolhimento! O que aconteceu com o acolhimento? Um novo membro é visto como um potencial concorrente, alguém que vai tirar o meu lugar. Aqui no Cambuci temos uma igreja em que um pastor mandou embora um casal de pastores para que não houvesse concorrência com a presidência. Hoje ele está só como pastor e tem apenas presbíteros e diáconos.
Graças a Deus em nossa igreja temos vários pastores e continuamos ordenando, dando oportunidades para todos pregarem e se desenvolverem. O resultado tem sido muito positivo para o evangelho.
Antigamente achar um falso crente era uma exceção. Hoje, é regra geral. Achar um crente verdadeiro, com os frutos do espírito, com o coração cheio de amor, que deve ser a característica principal de quem teve um verdadeiro encontro com Deus, está cada vez mais difícil.
João 13:34 Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. 35 Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.

Que Deus tenha misericórdia de nós.
Pr José Videira