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24 de mar de 2009

Profissionais no Engano

O que é milagre? O conceito de milagre pode ser assim explicitado: Milagre é um acontecimento que sucede contrário aos processos observados na natureza. Ninguém fez mais sinais do que Jesus, mas apesar de tantos sinais, Jesus é recusado por alguns. Também foi acusado de ser um agente do mal sendo o poder o mesmo que o dos demônios.

Então milagre é uma intervenção de Deus numa situação que, caso fosse deixada como está, iria desemborcar numa condição desfavorável.

A essência do milagre é ele ser uma exceção nos processos. A regra geral na vida é não haver milagre. Por isso estamos sujeitos a situações em que na grande totalidade dos processos não há milagre. O carro é roubado, o avião cai, as doenças se instalam e muitas vezes terminam em morte. Muitos pregadores da teologia da prosperidade, nos EUA, se internaram às escondidas para se tratar de doenças, para não serem vistos pelo povo. Porque na teologia da prosperidade o crente não fica doente. E se fica, é porque não tem fé.



Se numa igreja só há milagres, ou seja, o normal é haver milagres, então já não se pode chamar isso de milagre. Pela excepcionalidade do milagre, o milagre nessa igreja seria não haver nenhum milagre. Entenderam? Numa igreja onde tudo termina em milhares de milagres, o milagre seria não acontecer milagre algum.

Tenho um filho de 32 anos que tem paralisia cerebral e usa cadeira de rodas, pois não anda. Milhares de pregadores já oraram por ele. Me lembro do Benny Him impondo as mãos sobre ele, do T.L. Osborn, do missionário Davi Miranda, do missionário Manoel de Melo, para mencionar os mais conhecidos. Centenas de unções com óleo de igrejas, pastores, profetas. Ficamos exaustos de tanto freqüentar reuniões de milagres. Ele já foi internado várias vezes em hospitais com insuficiência respiratória e até cardíaca, mas está aqui conosco ainda. Deus tem um propósito em tudo.

Testemunho: Até os 10 anos de idade meu filho tinha convulsões e tomava Gardenal, um remédio que tentava inutilmente controla-las. Um dia, voltando de uma reunião de evangelismo e testemunhando à minha esposa o que Deus havia feito naquela noite, meu filho começou a ter uma convulsão em seus braços, virando os olhos e sacolejando todo o seu corpo. Tomei-o dos seus braços, subi sob o seu corpo e gritei desesperadamente para aquela enfermidade e ordenei que ela saísse dele e ele ficasse curado em nome de Jesus. Quando a convulsão terminou, disse à minha esposa que poríamos nossa fé à prova. Tiraríamos o Gardenal gradativamente, 5 gotas por dias, até zerar. Começamos assim. Depois de uma semana ele teve uma convulsão. Minha esposa ficou preocupada e me perguntou o que deveríamos fazer. Eu lhe disse: vamos continuar. Isso é uma prova da nossa fé. Continuamos até que o Gardenal foi retirado. Ele tinha 10 anos de idade. Hoje aos 32 anos, nunca mais teve nenhuma convulsão. Os médicos, quando olhavam o exame eletroencefalograma, nos perguntavam se ele tinha convulsões. Dizía-mos que não. Porque o quadro era para ter convulsões, mas ele não as tinha. Como explicar isso? Era um milagre verdadeiro. Como pode não ter convulsões se era para ter? Sei que Deus pode curá-lo. Basta um toque do Senhor. Mas tenho certeza de uma coisa: se o Senhor não quiser curá-lo neste mundo, ele receberá a cura total na ressurreição. O Senhor é soberano.

Estive assistindo na TV alguns pedaços de alguns programas de igrejas que se especializaram no engano do povo com falsos milagres. Uma mulher, que se dizia com dores nas pernas era exibida num desses programas como quem recebeu um milagre. O profissional na arte de enganar fazia as perguntas, induzindo a mulher a declarar um milagre que não existiu.

A senhora andava com uma bengala apenas como auxiliar no apoio. Ela também andava sem a bengala. Fizeram a pobre mulher andar para lá e para cá, como se ela não andasse. E aquilo parecia ser um milagre, como se ela fosse paralítica. O entrevistador dizia: “a perna está doendo agora?” A mulher deu uma risada meio sem graça. Como ele insistiu, ela respondeu com um tímido “sim”. Ele induz a mulher a mentir. Ela diz “sim”, para não deixa-lo mal perante as câmeras e o povo. Aí ele gritou, mandou-a correr, mas a mulher não corria. O entrevistador mencionou que a mulher usava bengala, como se ela não fosse mais usa-la. Mais uma vítima da corrente dos 70 sei lá o que.

Vi uma outra senhora, em um outro programa desses charlatões, sentada numa cadeira de rodas. O sujeito disse à mulher para se levantar. Aí os auxiliares tomaram a mulher pelos braços e a puseram de pé. Ele deu um passinho para frente com muita dificuldade. Quando o tal auto-intitulado apóstolo viu que a “cura” não prosperou, tratou de fugir para o outro lado do palco para fisgar mais uma vítima. As câmeras não filmaram, mas sabemos que aquela mulher sentou-se novamente na cadeira de rodas e foi embora para a casa do jeito que veio.

Numa outra cena, outra mulher quase caiu da escada, quando por um ato irresponsável ele a mandou descer. Ela começou a despencar. Não fosse a esperteza de alguns obreiros que estavam perto, ela teria se estatelado no chão. Mesmo assim, isso continuou no ar como se fosse um milagre. Todos bateram palmas.

Eu outro programa vi um missionário entrevistar algumas pessoas que diziam “a dor das costas sumiu”, “a dor do pé foi embora”, “o dente parou de doer”. Isso é transformado em milagres espetaculares! A medicina faz esses milagres, basta tomar um analgésico. Mas chamar isso de milagre? Ironicamente, no canto da telinha, há uma pessoa especializada na linguagem dos surdosmudos falando a eles através dos sinais. Interessante é que nunca um surdomudo é curado lá. Todos vêm, programa após programa e continuam surdosmudos. Quem fez essa pergunta foi o Jô Soares em seu programa quando entrevistou o deputado Marcelo Crivela da Universal.

Eu quero glorificar ao verdadeiro Deus pelos surdosmudos que são salvos e que anunciam a Palavra de Deus aos outros amigos que precisam de salvação. Louvo ao Senhor, pelos cegos que pregam o evangelho a um mundo de trevas. Pelos pastores paralíticos, que entram em cadeiras de rodas para anunciar o evangelho da salvação de Deus.

Fico triste em ver essa classe social já tão sofrida com as mazelas da vida, serem explorados com falsos milagres para que no fim de tudo despejem na sacola os últimos trocados, muitas vezes reservados para tomarem o ônibus para casa.
O fim deles será trágico. Jesus lhes dirá: “Nunca vos conheci, vós que praticais a iniqüidade”.

Não nos enganemos. Igrejas cheias, abarrotadas de gente, não significam que Deus está aprovando aquela obra ou trabalho. Geralmente as pessoas estão lá para resolverem seus problemas financeiros e de saúde por causa da isca lançada nos rádios e TV. Geralmente campanhas prometendo coisas que Deus não promete.

Finalmente, Deus não está com a multidão. Está com os pequenos. Jesus disse que o reino de Deus será dado a um pequeno rebanho. Disse-nos para entrarmos pela porta estreita.

Mt. 7:13 Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; 14 E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem. 15 ¶ Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores.