Translate

1 de jan de 2009

Posso tudo naquele que me fortalece? Será?

Estampados em camisetas ou em adesivos para automóveis ou ainda bem decorado pelos melhores crentes, reina absoluta como uma frase de poder. A idéia que se tem é de que não há impossibilidade alguma para aquele que tem o Senhor Jesus Cristo entronizado no coração. Nas vicissitudes, nas dificuldades, eu posso qualquer coisa. Se tiver que enfrentar uma entrevista concorrida para conseguir um emprego, a vaga sempre será minha, “porque eu sou por cabeça e não por cauda”. Sempre terei os melhores carros, os melhores empregos, a crise nunca chegará até a mim e eu andarei em ruas de ouro aqui na terra, afinal o meu Deus é o dono do mundo.

Que bom seria se tudo isso fosse verdade, ou talvez nem fosse bom. Que graça teria a vida se eu fosse prestar um concurso público e na hora da prova o Espírito Santo me revelasse as respostas das questões? Ou se eu nunca tivesse uma doença ou dificuldade para enfrentar? Se meu sapato nunca furasse e sempre que eu chegasse a um shopping, lá está a minha vaga me esperando num local bem próximo à porta principal, junto à escada rolante?



Desculpem-me a simplicidade no escrever. Não gosto muito de linguajar coloquial. Deus não fez a vida para vivermos na moleza. Há muitos crentes em casa, esperando um anjo tocar a campainha com uma mensagem “meu servo, Jeová me enviou aqui para lhe trazer boas novas a você: uma vaga de emprego para ganhar vinte mil dólares. Não faz mal se você nunca cursou nenhuma faculdade ou se tem dificuldades com equações aritméticas. O Espírito Santo vai te ajudar e vai te ensinar a somar, na hora em que precisar. Vá e tome posse da sua vaga”.

Isso jamais acontecerá. Deus fez o homem para enfrentar desafios. São as dificuldades da vida que os fazem crescer, são os tombos da criança que a ensinam a andar.

Um dia resolvi prestar um concurso público para Auditor da Receita Federal. Estudei um período de 9 meses de forma bem intensiva, de 2ª a 6ª feira, das 19 às 00:00 horas e sábados e domingos o dia todo. Foram 14 matérias estudadas. No dia da prova, fiz uma oração e lá fui eu confiante na minha vaga. Quando fui conferir o resultado, não tinha entrado. Fiquei triste, naturalmente. Mas, retomei o meu ânimo e tentei novamente, agora com um pouco mais de carga de estudos. Nada, novamente. 3ª vez, nada. 4ª vez, CONSEGUI!!! Perguntei a um colega quantas vezes ele tinha feito: 13 vezes! Então fiquei até feliz por ter conseguido na 4ª.

As pessoas querem ter uma situação financeira estável. E quem não quer? Conseguir pagar as contas no final do mês e não ter o cartão de crédito carregado com juros exorbitantes, é o sonho de todo mundo. Mas acho incrível que uma pessoa que aceita a Jesus como Senhor e Salvador, descansa exageradamente. É para descansar? Sim! Nas suas promessas, sabendo que temos a vida eterna. Mas não é para encostar os estudos e ficar deitado em berço esplêndido esperando as coisas acontecerem.

O Salmo 1 diz: “em tudo o que PUSER AS MÃOS, prosperará”. Quem? O homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, que medita na lei do Senhor, etc. Em suma, é aquela pessoa que tem um compromisso com Deus, que o ama. Porém ela tem que PÔR AS MÃOS no seu sonho a realizar. Tem que estudar e muito, fazer pós-graduação, cursos de especialização e MBA, enviar currículos e trabalhar muito até conseguir um cargo melhor na empresa. Deus fará essa pessoa prosperar. Quem cruza os braços é preguiçoso e não está conforme a Palavra de Deus.

Uma pessoa desempregada há anos, conseguiu um emprego num posto de gasolina para ser frentista. Ia ganhar um salário mínimo, mas também teria as gorjetas. Essa pessoa saiu do posto depois de alguns dias, com a justificativa: “se for para ganhar um salário mínimo, prefiro ficar em casa”. Essa postura deveria ser inversa e essa frase seria melhor montada assim: “Se for para FICAR EM CASA, prefiro ganhar UM SALÁRIO MÍNIMO”. Tudo, menos ficar em casa, sem emprego. Desempenhando bem o seu papel de empregado, naturalmente outros desafios surgiriam. Mas existe um monte de crentes “lavados e remidos no sangue de Jesus” que estão jogados em cima de sofás em frente a um aparelho de TV. E o tempo está passando...

Quando o apóstolo Paulo disse: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece”, precisamos entender que essa frase foi retirada dentro de um contexto. Vamos primeiramente analisar o clima do seu discurso e depois refletir se podemos mesmo tudo.

Primeiramente Paulo está preso por causa do Evangelho de Jesus Cristo. Abrindo um parêntese aqui, que vergonha alguns intitulados apóstolos, bispos ou pastor sendo presos por falcatruas, fazendo contrabando de dólares e construindo empresas de fachadas para lavagem de dinheiro e querendo se comparar com Paulo que também esteve preso. Paulo não merece essa comparação. Isso já é maldade. As prisões de Paulo foram por causa da pregação do evangelho, por causa da mensagem que atingia frontalmente o império das trevas.

Paulo recebe então uma ajuda financeira dos irmãos da igreja de Filipos. Paulo agradece gentilmente a oferta, complementando que o agradecimento não é decorrente de sua necessidade, o que era um fato, mas enfatiza que já aprendeu a se contentar com o que tem. E é nesse ponto que os crentes desconhecem o teor da mensagem de Paulo. Paulo sofreu tanto no evangelho que para ele os momentos bons ou ruins eram igualmente valorizados, contanto que ele estivesse com Cristo. Eu sua segunda carta à igreja de Corintios, no capítulo 11, ele descreve as aflições pelas quais passou, dizendo que foi castigado cinco vezes com 40 chicotadas, três vezes com açoites de varas,experimentou naufrágio, sempre passando por perigos, ameaças de mortes pelos judeus, trabalhando afadigado para se sustentar, passando fome e sede, frio e nudez, escapou da morte muitas vezes, foi amarrado pelos pés numa prisão na cidade de Filipos. E em Romanos no capítulo 5 Paulo diz que nossa única glória são as aflições e tribulações que passamos pela vida, o que nos fazem mais fortes, mais preparados para enfrentarmos qualquer situação.

Num quadro como esses, Paulo diz à igreja de Filipos que já aprendeu a se contentar com o que tem, seja no bom ou no ruim, estando abatido ou alegre, a ter em abundância ou a passar fome, Paulo já está treinado nisso e para ele tanto faz, conquanto que Cristo esteja ao seu lado. Aí ele conclui com essa frase: “Posso todas as coisas, naquele que me fortalece”. Essas coisas que Paulo fala, são o que ele acabou de descrever.

A maioria dos crentes usa esse excerto do trecho original como se fosse um amuleto da sorte, de ele pode todas as coisas, mas não pode não. É só o pastor da igreja não cumprimenta-lo, fica todo magoado e não raro deixa a igreja com aquela autojustificativa “não reconheceram o meu trabalho, o pastor não me cumprimentou, ninguém liga pra mim”. São crentes imaturos, que ainda precisam passar por muita aflição e tribulação para transporem essa barreira do “não me toques, não me reles, senão eu me machuco”.

Poucos crentes puderam dizer “Posso tudo naquele que me fortalece”. E nos dias atuais, talvez você encontre um ou dois. E muito provavelmente essa pessoa não é você. Ainda estamos longes de Paulo. O povo de Deus precisa ser preparado para lutar como guerreiros em campo de batalha e nunca olhar para trás, mas seguir em frente com destemor, pois o general da batalha da vida é Jesus Cristo e com ele seremos vencedores. Sem Ele, com certeza, derrotados.

Harpa Cristã:
Os guerreiros se preparam para a grande luta
E Jesus, o Capitão, que avante os levará.
A mílicia dos remidos marcha impoluta;
Certa que vitória alcançará!

Eu quero estar com Cristo,
Onde a luta se travar,
No lance imprevisto
Na frente m'encontrar.
Até que O possa ver na glória,
Se alegrando da vitória,
Onde Deus vai me coroar!

Eis os batalhões de Cristo prosseguindo avante,
Não os vês com que valor combatem contra o mal?
Podes tu ficar dormindo, mesmo vacilante,
Quando atacam outros a Belial?

Dá-te pressa, não vaciles, hoje Deus te chama
Para vires pelejar ao lado do Senhor;
Entra na batalha onde mais o fogo inflama,
E peleja contra o vil tentador!

A peleja é tremenda, torna-se renhida,
Mas são poucos os soldados para batalhar;
Ó vem libertar as pobres almas oprimidas
De quem furioso, as quer tragar!

pr José Videira